Durante os meus anos de estudante na Universidade do Kansas, com o Professor Sequeira Costa e outros alunos na sua classe de piano, Lawrence, Kansas, E.U.A., 1992.
 

A cerimónia durante a qual recebi o “Outstanding Graduate Teaching Assistant Award,” com o Presidente da Universidade do Kansas, Gene Budig, Lawrence, Kansas, E.U.A.,1992.

Aos três anos fui iniciada em pintura, música, e movimento (este no Estúdio Escola de Dança Clássica dirigido por minha mãe). Ali, através de movimento e do gesto, aprendi a “imitar” flores, insectos, nuvens, etc., e a tentar exprimir sentimentos. Transitei depois para a classe de “ballet”, cedo descobrindo que o domínio e a flexibilidade do corpo facilitam muitas tarefas do dia a dia (incluindo o estudo do piano). As lições de pintura com Cecília Menano constituiram um verdadeiro prazer. Apesar de pouco dotada do ponto de vista visual, ainda assim gostava de tentar desenhar pessoas, animais, flores, e paisagens. As minhas figuras pareciam, mais, palitos com membros estranhos, os gatos e cães assemelhavam-se a seres extra-terrestres. Porém, contanto que a minha imaginação estivesse ocupada, já eu ficava contente. Mas a música era o único meio de expressão capaz de levar-me a viajar dentro de mim. O som do piano e a sensação das suas teclas sob os dedos, fascinaram-me logo no início. Ao piano eu podia exprimir os sentimentos mais íntimos com perfeita liberdade, e dar largas às fantasias as mais incríveis. O instrumento tornou-se-me num amigo querido, uma espécie de cúmplice das experiências criadoras.


Com Gil Miranda, um dos meus primeiros professors de música,
Oberlin, Ohio, E.U.A., 2002.
 

Com Sharon Miranda, mulher de Gil Miranda e uma das minhas primeiras professoras de música, Oberlin, Ohio, E.U.A., 2002.

Chegada a idade escolar, frequentei a Academia de Música de Santa Cecília em Lisboa, tendo então como professores Gil e Sharon Miranda. Depois de os ter perdido de vista durante dezenas de anos, vim a saber que se tinham há muito mudado para os Estados Unidos. Gil pertenceu ao corpo docente do Oberlin Conservatory of Music, em Oberlin, no Ohio, até à sua reforma, em 2002. Aos seis anos, também em Lisboa, comecei lições de piano com a professora Noémia de Brederode. O seu amor exuberante pela música era tal que não pôde deixar de contagiar-me. Ao matricular-me mais tarde no Conservatório Nacional, foi com ela que continuei a estudar. Contudo, nos últimos dois anos do Conservatório Nacional, comecei a estudar particularmente com a professora Tania Achot, que me iniciou numa técnica de piano nova para mim. Enquanto o método de Noémia de Brederode acentuava a estabilidade do braço e a articulação pronunciada dos dedos, Tania Achot concentrava-se no peso do braço e na independência dos dedos. Tendo-me entretanto transferido para o Conservatório de Música do Porto, vim a terminar aí com distinção o curso superior de piano. Uma vez que não existiam então em Portugal estudos de pós-graduação para executante, deixei Portugal em 1982 a fim decursar a Universidade de Kansas, nos Estados Unidos. Aí vim a receber o doutoramento em música, sob a orientação de Sequeira Costa, discípulo que fora de Mark Hamburg, Edwin Fischer, Marguerite Long, Jacques Février e Vianna da Motta (este um dos últimos alunos de Franz Liszt e de Hans von Bülow).


Com Sequeira Costa, o meu professor de
piano na Universidade do Kansas,
durante uma das minhas visitas a
Lawrence, Kansas, E.U.A., 1994.


Durante a cerimónia de graduação do meu doutoramento, com o Professor J. Bunker
Clark, no Leeds Center, Universidade do Kansas, Lawrence, Kansas, E.UA., 1997.
 

Subsequentemente, ainda nos Estados Unidos, estudei com Edna Golandsky em New York, e Joseph Gurt, da Eastern Michigan University, dois dos principais defensores do método de técnica pianística de Dorothy Taubman. Este método, desenvolvido por Dorothy Taubman ao longo de mais de 45 anos de ensino e pesquisa do piano, assenta no estudo científico do corpo humano e das leis que governam o seu movimento. Encontrara Edna Golandsky e Joseph Gurt em 1991, durante os cursos anuais do Instituto Pianístico Dorothy Taubman, no Amherst College, em Massachusetts. Devido ao esforço inerente ao desenvolvimento de vasto repertório em tempo relativamente curto, e estudar durante muitas horas seguidas sem tomar em linha de conta o alinhamento dos movimentos do braço e da mão, contraíra um caso de tendinite aguda. Verifiquei com desgosto que, a menos que mudasse completamente de técnica pianística, não poderia mais tocar piano. Foram as lições do método Taubman que me permitiram voltar a tocar piano,
ao mesmo tempo que melhorava considerávelmente a minha capacidade técnica. Desde que frequentei o curso em 1991, não só me vi livre da tendinite, como pude alargar o repertório a áreas que antes considerara para além das minhas possibilidades.



Clique aqui para voltar à página da Biografia

 
©2004 ALEXANDRA MASCOLO-DAVID